SANTO ANTONIO DO SUDOESTE (BR) E SAN ANTONIO (AR): FRONTEIRA LIVRE


Desde a assinatura do Tratado da criação do Mercosul, os países Brasil e Argentina vem estreitando laços de cooperação política e econômica. Esse estreitamento não se dá apenas nisso. A livre circulação de pessoas entre os países é outro acordo existente pelo tratado.
Para compreender melhor a fronteira entre esses dois países, nos propomos ao estudo do meio, ou aula de campo, que será a visita ao marco principal da fronteira entre os países Brasil e Argentina, localizado na nascente do Rio Santo Antônio, interior do município de Santo Antonio do Sudoeste.
Na visitação prévia ao local para o planejamento dos elementos a serem analisados, realizamos o levantamento dos seguintes dados: altitude em relação ao nível do mar; coordenadas geográficas: latitude e longitude; história do marco da fronteira entre os países Brasil e Argentina. Esses levantamentos foram realizados simplesmente para a orientação de localização geográfica e histórico do local.
No estudo do meio com os estudantes orientaremos para uma observação e registro dos elementos como: a interferência do ser humano; a expansão da fronteira urbana; a ocupação do espaço geográfico local; os descaminhos (fluxos de mercadorias); as relações sociais local; divisão política entre os países Brasil e Argentina. No retorno a sala de aula, em grupos de três a quatro estudantes, encaminharemos para a ordenação e organização das informações através de elaboração de esquemas, mapa conceitual, ou ainda, croquis e desenhos. Também os estudantes poderão optar pela elaboração de painel de fotos antigas e da visitação, interpretação de mapas, identificação das alterações produzidas no espaço visitado como decorrência do processo de ocupação humana e sistematização através de produção de textos.
Na sequência, os grupos apresentarão para os demais estudantes da sala de aula, através do material produzido pelo grupo, o relatório do estudo do meio, promovendo um debate com os demais.

 Foto do autor, em 17 de ago. de 2013.

Marco principal da fronteira entre Brasil e Argentina, na base do marco a nascente do Rio Santo Antonio. Em primeiro plano, o território brasileiro e após o marco, o território da Republica Argentina.


Foto do autor, em 17 de ago. de 2013.

Marco secundário da fronteira entre Brasil e Argentina. A cada 50 metros a partir do marco principal encontra-se um marco igual a este. Verifica-se a palavra “BRASIL”, que siginifica que neste lado é território brasileiro, e no seu verso o território é da Republica Argentina.

 Foto do autor, em 17 de ago. de 2013.

A cerca de arame farpado (de propriedade particular) está exatamente na divisa do território entre Brasil e Argentina. Em primeiro plano o território brasileiro e após a cerca, o território da Argentina.



Foto do autor, em 17 de ago. de 2013.
No canto esquerdo inferior, percebe-se uma cerca (de propriedade particular) passando exatamente na divisa entre os dois países. Na parte esquerda da cerca é território da Argentina. No lado direito da cerca, território do Brasil.


A fronteira entre os dois países, Brasil e Argentina possui uma história rica, tanto na questão de sua constituição quanto na ocupação do espaço. As duas cidades, Santo Antonio do Sudoeste (BR) quanto San Antonio (AR) podem ser consideradas cidades gêmeas, sendo separadas apenas pelo Rio Santo Antônio, que:
O rio Santo Antônio é referência histórica na confrontação territorial das colônias luso-castelhanas. Já nos Tratados de Madri, 1750, e de Santo Ildefonso, 1777, estabdelecia-se a nascente do referido rio, até a sua foz no rio Iguaçu, como parte dos 1261 Km de fronteira fluvial, entre os dois países. […] A nascente do rio Santo Antônio, permanece desprovida de vegetação. Há no local, a prática de pecuária, sendo que a área foi tomada pelo plantio de pastagens, e por sua vez intensa circulação de gado. É visível a todos que visitam a nascente, os danos causados pelo pisoteamento do gado, que por ali transita livremente, configurando-se numa grave ameaça à vitalidade do Rio (RECH, 2007, p. 45-50).
Através do artigo de Rech (2007) podemos abordar a situação que se encontra não só a nascente do Rio, mas uma extensão que corta as duas cidades, desde a nascente até a aduana, situada entre as duas cidades, que seguindo o curso do rio, está numa distância de 12.100 metros da nascente. Na margem direita do referido rio, situa-se o lado brasileiro e na margem esquerda do rio situa-se a cidade de San Antonio, Argentina.
Inicialmente Santo Antonio do Sudoeste era habitado por índios Guaranis e Caigangues, que ocupavam as margens e o vale do rio Santo Antônio, convivendo em harmonia com o ambiente, cuja sobrevivência se dava através da caça, da pesca, da coleta na mata e pequenas plantações. […] A formação das cidades no Sudoeste do Paraná aconteceu a partir da exploração dos recursos naturais disponíveis na região. Diante disso, pode-se dizer que o povoado que deu origem à cidade de Santo Antonio do Sudoeste deve-se ao período ervateiro, fortalecido com a exploração da madeira em larga escala, que exigia a construção de casas ao redor das serrarias para fornecer mão-de-obra (SINHORINI, 2007, p. 36-39-40).
Percebe-se que a formação do território de Santo Antonio do Sudoeste, não foi diferente dos demais municípios do Sudoeste do Estado do Paraná. O que muda é que Santo Antonio do Sudoeste é um município que possui fronteira com outro país, a Argentina.

IMAGENS DA FRONTEIRA ENTRE BRASIL E ARGENTINA

FONTE: Google Earth, com adaptação do autor, em 02 de out. De 2013.
Em primeiro plano, no círculo em vermelho, o local de visitação, marco principal da Fronteira entre os países Brasil e Argentina. A linha amarela corresponde a fronteira entre os dois países. Em terceiro plano, a direita, a cidade de Santo Antonio do Sudoeste, Brasil, e a esquerda a cidade de San Antonio, Argentina.


FONTE: Google Earth.
A linha amarela significa a fronteira entre os dois países, Brasil e Argentina. No lado direito da linha amarela, a cidade de Santo Antonio do Sudoeste, Brasil. No lado esquerdo da linha amarela, a cidade de San Antonio, Argentina.

FONTE: Google Earth, com adaptação do autor, em 02 de out. de 2013.
Área urbana do município de Santo Antonio do Sudoeste. Os detalahes em vermelho são possíveis pontos de visitação. O ponto 1 é a Aduana, passagem de pedestres e automóveis entre os dois países. O ponto 2 é uma passagem vicinal. Os pontos 3 e 4 vem ocorrendo loteamentos, expandindo a fronteira urbana.


FONTE: Google Earth. Com adaptação do autor, em 02 de out. de 2013.
Ponto 2 em destaque. A linha amarela mostra praticamente a divisa entre os dois países. No inferior da foto é o lado brasileiro e ao superior o lado argentino. A esquerda da imagem percebe a passagem vicinal entre os dois países, bastante utilizada pela população da cidade, principalmente os ribeirinhos que praticam o chamado “descaminho” de mercadorias entre os dois países.

As cidades Santo Antonio do Sudoeste (BR) e San Antonio (AR), são separadas apenas pelo Rio Santo Antonio. A circulação das pessoas e de mercadorias entre as duas cidades fazem parte do dia a dia da população. Os primeiros habitantes das duas cidades já praticavam o livre comercio e de circulação das pessoas.
Os primeiros exploradores destas terras tinham como principal atividade econômica a comercialização da erva-mate que saía do território brasileiro com destino aos portos argentinos. As transações comerciais deste produto a princípio eram feitas sem qualquer satisfação à fiscalização brasileira, no entanto sabe-se que desde 1929 já havia um posto fiscal administrado pela Secretaria de Fazenda do Estado do Paraná, na passagem de Santo Antonio do Sudoeste (BR) para San Antonio (AR) (SCARABOTTO, 2007, p. 34).

Essa delimitação fronteiriça entre os dois países, que ocorreu em 1895, não impediu os habitantes das duas cidades manterem suas relações comerciais amistosas e até mesmo relações familiares.
Nesse sentido, o estudo do território trabalhados por diferentes metodologias, como as propostas nesta unidade didática (literatura geográfica, cinema e estudo do meio), possibilitam o entendimento mais próximo do local e suas relações com as escalas geográficas maiores. E como forma de materialidade da proposta pedagógica apresentada realizaremos uma socialização dos materiais produzidos pelos estudantes, como: textos, cartazes, painéis, mapa conceitual, croquis, desenhos, dentre outros. Entendemos que para dar dar maior visibilidade ao papel do ensino de Geografia, o emprego de metodologias alternativas é importante por atribuir mais sentido e significado aos conteúdos abordados por essa disciplina.

REFERÊNCIAS

RECH, Claudete de Castro. RECH, José Claudio. Rio santo antônio: a problemática ambiental, o descaso com a história e a busca da sustentabilidade. In: SINHORINI, José Marcos (org.). Questão sócio-ambiental e desenvolvimento regional. Santo Antonio do Sudoeste, GRAFIT, 2007. p. 45-51.

SCARABOTTO, Ivonete Zanini. Fronteira e seus descaminhos. In: ______ (org.). Questão sócio-ambiental e desenvolvimento regional. Santo Antonio do Sudoeste, GRAFIT, 2007. p. 31-36.


SINHORINI, José Marcos. Alguns elementos para o estudo da construção do espaço em Santo Antonio do Sudoeste-PR. In: ______ (org.). Questão sócio-ambiental e desenvolvimento regional. Santo Antonio do Sudoeste, GRAFIT, 2007. p. 36-44.

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